Em Todas as Horas

Há quem diga que são nas horas mais difíceis que o amor se revela. A alguns meses tive uma prova disso.
Eu e o meu namorado fomos ver umas coisas pra nossa casa, alguns móveis novos para a cozinha e sala.
Na loja, ele queira comprar umas peças que num tinha como. Tipo, R$ 700,00 numa cozinha em aço e R$ 1.120,00 num sofá de canto. Tá certo que íamos pagar juntos, mas 700 conto num armário e mais de mil pila num sofá, sem contar na geladeira nova que ele colocou na cabeça que a nossa estava ruim e tinha que trocar ( o nariz dele que tava ruim )?!
Bati o pé e disse que não.
Porra, quando chegou em casa, só faltou voar prato, panela, travessas dessas de vidro em minha direção, mas tudo bem.
Eu encostava nele pra fazer um carinho e tal, só faltava levar uma voadora. Na cama?! Ai de mim se triscasse nele. Era capaz dele quebrar meu dedo.
Isso foi num Sábado, na Terça, eu acordei com uma dor de cabeça e uma sensação ruim na nuca. Tomei 30 gotas de Ibuprofeno e voltei a deitar.
Quando acordei, isso já umas 10h, a dor não tinha passado, mas levantei, tomei café, e fui ver os jornais da Globonews e CNN.
Já perto do meio dia, o meu namorado vem na sala me chamar pra almoçar com cara de quem queria me esquartejar com a faca que ele tinha na mão, mas tudo bem, pulemos essa parte.
Almocei e, quando levantei, senti um estalo na nuca. Coloquei a mão, balancei a cabeça pra um lado e para o outro, dei cerca de 5 passos e cai desacordado.
Acordei no hospital com a cabeça raspada, cheio de eletrodos me monitorando, ventilação mecânica... a porra toda que tem na UTI.
Uma enfermeira veio até mim, tirou o tubo que estava me dando alimentação, perguntou como eu me sentia e depois ela me contou que tive um rompimento de uma veia na base do crânio. Sorte que foi uma veia, se fosse uma artéria, eu não estaria aqui contando a história  .
Não foram 2 minutos que a enfermeira virou as costas, o meu namorado chegou. Com um capote ( acho que é assim que chama um treco branco que o povo usa pra entrar na UTI ), uma mascara e uma touca. Ele perguntou a enfermeira se podia tocar em mim, como ela disse que sim, ele apertou a minha mão e começou a chorar e dizer que ficou com medo que eu morresse.
Ele ficou 13 dias comigo no hospital, até nos dias que eu estava desacordado. Ele quase morou no hospital. E em casa, ele continuou fazendo as coisas pra mim, cuidado de mim.
Quando eu já havia me recuperado, ele veio me perguntar se a forma como ele me tratou após a minha negativa em comprar as coisas que ele queria, influenciaram em eu ter passado mal.
Pensei um pouco e respondi que não. Ele me abraçou tão forte que achei que ele ia me quebrar.
No mesmo dia, ele preparou um jantar muito bom: baião de dois com pequi, uma buchada ( ele se mancomunou com a minha mãe para mandar uns temperos lá do CE pra ele colocar ), cuscuz e uma garrafa de 2 litros de Cajuína São Geraldo ( a melhor que existe ).
Eu comi parecendo que eu tava a dias sem comer nada.
Ai. Comi que nem um major ( expressão nordestina que quer dizer que a pessoa comeu de mais ).
Depois dessa janta, faltou a sobremesa, que foi no meu quarto com o meu amor.
Depois de tanta carne de bode, nada como pegar o namorado de frango assado pra mudar de animal um pouco. 


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